Mate & Politicas

Aqui uma descrição de um encontro numa zona rural de Berlim, em Binnenwerde. Trata-se de uma quinta coordenada por ativistas dedicados a questões alimentares. Eles são um coletivo e abastecem lojas de comida alternativa em Berlim, incluindo uma próxima de nossa casa, a BioKraftKeller, Schwedterstr. 253A em Berlim.

O encontro teve um carater demonstrativo onde apresentou dois pontos essenciais para mim, e abaixo esta mais em detalhes a questão das alternativas usadas pelo Movimento Sem Terra hoje no Brasil. Os dois pontos foram :

  • Consciência sobre a produção alimentar, o seu impacto ambiental e soberania alimentar.
  • A Guerra na Síria e a questão dos refugiados na Europa.

Nesta publicação, e com uma perspetiva Mate, falaremos sobre alimentação e, mais tarde, abordaremos a questão da Síria noutra entrada do blog.

Houve um ponto de informação com excelente material sobre agricultura e alterações climáticas, revelando o fracasso da produção em massa e a técnica de monocultura que, segundo Peasant Confederation Climate, sempre conduz a emissões de gases e ao efeito estufa. Como alternativa foi apresentada o conceito “Peasant Agriculture and Food Sovereignty”. Esta alternativa trabalha junto com a natureza propondo práticas agrícolas sustentáveis, protegendo toda a biodiversidade, seja ela selvagem ou de cultivo doméstico.

Entre os projetos apresentados, houve um pequeno painel “UN-unmasking Climate Smart Agriculture” de La Vía Campesina – International Peasant Movement e um painel mais alargado da CIDSE apresentando o “Climate-Smart Agriculture – the Emperor´s new clothes?” proposto por the Food and Agricultural Organisation (FAO) of the United Nations (UN).

Os trabalhos mais completos estão disponiveis em inglês, francês e espanhol em www.cidse.org/resources .

Para consumidores e pequenos produtores , recomendo vivamente a leitura de Peasant Agriculture – A guide for the perplexed .

Este projeto é apresentado como uma banda desenhada, de fácil leitura e compreensão, ajudando quintas de transição a mostrar como a agricultura europeia se encontra num beco sem saida.. No Brasil, especialmente no Sul, onde produzimos o nosso mate, estamos perante diferentes estágios de desenvolvimento, onde pequenas explorações familiares ambicionam e tomam medidas que as aproximam para uma espcialização orientada para industrialização, transformando as suas terras e quintas em unidades de produtividade intensiva, perdendo qualidade sobre o produto e a vida. Desejamos poder traduzir este documento e facultá-lo aos agricultores de lá.

Fiquei supreendido ao ver a bandeira do Movimento Sem Terra (MST) a ser exibida neste contexto. MST distribui erva-mate organica certficada por EL Puente, que fornece matéria-prima para a anti-fa Kolle Mate de Dresden e para a excelente saborosa e saudável Maki Mate de Leipzig.

Sendo um ativista da Mate e tendo contactado e avaliado o MST a pedido de Kolle Mate, foi com desprezo que vi um movimento que aplica os meios de produção industrial em coligação com tal movimento como o Peasant Agricultural. Eu ouvi falar bem do MST no Brasíl mas é algo controverso, e não quero desta forma desconsiderar o seu trabalho sobre a distribuição das terras para os agrícultores. Mas a forma como eles produzem Erva Mate não se encaixa com os documentos expostos, pelo contrário encaixa-se no “Climate Smart Agriculture”proposto por a FAO.

Ao olhar para o ponto de informação em Binnenwede, deu impressão que todos os produtos provenientes do MST, provém desses principios de pequena escala baseados em práticas ecologicas e familiares. Os produtores de mate na Alemanha bem intencionados e de bom coração são muitas vezes enganados.

O Mate tem sido um estímulo de concentração de união entre ativistas na Alemanha, é justo que mostremos transparencia sobre o seu processo para evitar taís equivocos.

  • MST produz Mate utilizando processos industriais (120.000 Kgs de folhas verdes/ 60.000 erva mate seca por mes)

Ao recorrer ás facilidades da indústria padronizada para cobrir as despesas gerais e o uso de máquinas não respeitando os círculos naturais e os periodos de colheita, pondo em risco a qualidade do produto e a longevidade das arvores.

  • MST ao produzir mate coopera prioritariamente com os agricultores do MST mas dá-lhe o direito de comprar da matéria prima fora.

A compra descontrolada pode levar aum ‘buy-out’ e consequente desflorestação e a apropriação de terras. Normalmente isto só acontece a pequenos agricultores que não processam a sua própria erva mas que a vendem para a industria. No caso do processo de manofactura não ser centralizado, eles estão orgulhosos da qualidade do seu produto e tendem a não cortar as arvores no tempo errado ou vender os terrenos para serem convertidos em monoculturas de soja ou eucaliptos.

=> O MST produz fontes cooperativas de madeira para acabar com as monoculturas de eucalipto.

Ao praticar este modelo industrial, limita a autonomia dos agricultores como também não é autonomo por si, necessitando entrada de fora e fomentandoo uso de eucaliptos que traz um impacto desastroso tanto para a natureza como para a sociadade rural no sul do brasil. Para mais detalhes veja o documento anexado.

O pegada ecológica do Mate processado de forma industrial ou familiar-artisanal, tem ainda que ser calculado, isto é um dos assuntos que gostava de discutir no dia 12 de Setembro durante o próximo coffeinehackathon, numa tentativa de perceber o que é justo na industria das bebidas. Espero que esta publicação seja um contributo ao estimulo do pensamento sobre as origens dos nossos alimentos e especialmente sobre o nosso mate e convido-o a deixar o seu comentário.

Não esquecer, que também houve uma exibição e concerto sobre Siria, que será retratado na próxima publicação do nosso blog, designada como Mate & Política II. Iremos retratar os pontos de vista de um refugiado sírio sobre a situação que se vive lá e como o mate é visto e bebido naquela região. Se pretender receber atualizações sobre os nossos produtos e atividades escreva-nos por email.

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